Home 24/03/2020 - 11:57 - Josélia de Lima/Governo do Tocantins

Para além da sala de aula: professores da rede estadual se destacam como bons escritores

Professor Maximiano – “Escrever é uma forma de se comunicar com o mundo e expressar ideias e sentimentos” Professor Maximiano – “Escrever é uma forma de se comunicar com o mundo e expressar ideias e sentimentos” - Seduc / Governo do Tocantins
A professora Deise escreve para autoavaliar os sentimentos e emoções A professora Deise escreve para autoavaliar os sentimentos e emoções - Seduc / Governo do Tocantins
O professor Jeremias está aproveitando o isolamento social para produzir cordéis literários O professor Jeremias está aproveitando o isolamento social para produzir cordéis literários - Seduc / Governo do Tocantins

Nas escolas da rede estadual, muitos professores e gestores escolares alimentam a paixão pela escrita. Alguns já conseguiram lançar livros e outros estão aproveitando as redes sociais para divulgarem suas ideias e criações.

Entre eles, a professora Deise Raquel Cardoso, que leciona há 10 anos no Colégio Estadual São José, em Palmas. Ela está escrevendo atualmente o livro ‘Lagoa Feia’, um conto regional que visa fazer um resgate cultural de memórias dos seus próprios ancestrais, índios Akroá - etnia originária da região de Goiás, e quilombolas. “No livro, o protagonista é o senhor Joaquim Bonfim, um sertanejo que se alfabetizou em apenas seis meses de aulas e passou toda a sua vida a alfabetizar outros sertanejos. Joaquim mostra a todos que o saber é a maior riqueza de um homem”, explicou.

Esse livro sobre o resgate da memória também é um alerta para a interferência humana no meio ambiente. A história tem como centro uma lagoa, que antes tinha beleza e oferecia água potável, agora, é apenas um buraco.

Deise lançou, ainda, livros com alunos no Colégio Estadual São José, participou de cinco edições do Anuário de Poetas e Escritores do Tocantins - promovido pela Academia Gurupiense de Letras e pela Editora Veloso. Além disso, ela participou da 1ª coletânea de Contos da Academia Palmense de Letras e escreveu outros dois livros:  Reflexos, uma coletânea de poemas ilustrados e uma fábula para o público infantojuvenil, denominada ‘Tamanho X Inteligência’.

A educadora nasceu em Dianópolis, está em Palmas desde 1991 e, atualmente, leciona para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Além das aulas regulares, ela está desenvolvendo o projeto ‘Conectados’ que, por meio do grupo de Whatsapp, mantém seus alunos integrados e complementa os conteúdos estudados em sala de aula. “Por meio dessa ferramenta, lanço desafios e atividades para os meus alunos, garantindo, assim, aulas mais significativas, dinâmicas e com maior abrangência dos temas estudados”, esclareceu.

“A escrita é meu refúgio. Comecei a escrever muito cedo, aos 12 anos, como terapia contra a depressão. Hoje, ajudo outras pessoas a vencerem, também, a depressão por meio da poesia. Em meus poemas, principalmente, fica evidente o reflexo dessa minha luta, mas ao final, ainda que de forma subjetiva, sempre apresentam uma mensagem de fé, luta e superação. Escrevendo eu relembro, reflito, invento e reinvento a minha própria história”, comentou.

Inspiração que vem da natureza

O professor Maximiano Bezerra, que atualmente é diretor do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Taquaruçu, transforma qualquer ideia e emoção em contos e poesias. Ele já lançou um livro de crônica, denominado ‘Além das Tempestades’, além de obras de contos como ‘Flores, Espinhos e Vendavais’, ‘Os Dez Contos’ e ‘O homem que...’. Ele publicou suas poesias nos livros ‘Sob a luz do Sol’ e ‘Poesias na Janela’.

Atualmente, o professor Maximiano está trabalhando na produção de outros dois livros, um deles é manual de como abordar o tema racismo em sala de aula, e o outro é um romance que retrata a saga dos povos africanos.

Incentivar os alunos

Outro professor que ama escrever é Jeremias Leal, do Colégio de Tempo Integral Raquel de Queiroz, em Palmas. Ele aproveita os temas das aulas de Redação e Literatura para escrever e incentivar os alunos a escreverem. “Poema é o gênero que melhor me identifico. No ano passado, foquei em sonetos e, neste ano, focaremos na Literatura de Cordel. Produzi um cordel sobre a Escola Raquel de Queiroz, por ocasião do aniversário da instituição. O poema recebeu tradução para o espanhol e para o inglês”, contou.

Jeremias é pernambucano e escreve poemas desde a década de 1980. Na sua trajetória de escritor, ele lançou o livro ‘Há canto de encanto no canto’ e, atualmente, aproveita as redes sociais para divulgar seus textos.

Nesse período de isolamento social, o professor está produzindo Literatura de Cordel, com os temas referentes aos períodos da literatura, de uma forma que os estudantes assimilem melhor o conhecimento.